Marcas do parto!



     Chegou o fim da gravidez pelo parto.
     Então dá-se inicio ao puerpério ou pós parto. Essa fase dura cerca de 40 dias trazendo uma mistura profunda de sentimentos.
     Puerpério é o período de 6 semanas  a seguir do dia do parto. Uma fase cheia de dúvidas.
     Entre cuidados com o bebê, o desregulamento do próprio corpo, as noites mal dormidas...
... esse é  o momento..
...em que a mulher sofre grandes alterações hormonais que se iniciam na primeira semana após o parto.
     O lado emocional fica bastante afetado pela responsabilidade com o frágil recém nascido, pela adaptação à amamentação, os palpites e comentários que te deixam ainda mais insegura, violência obstétrica (atos praticados por profissionais da saúde que ofendam de forma verbal ou física,nas gestantes, parturientes e puérperas ou em situação de aborto) talvez sofrida no parto.
     As marcas emocionais consequentes da violência obstétrica, causam na mulher uma confusão sentimental muito grande pois ela é forcada a entender e aceita essas divergências, pois há um bebê que necessita de cuidados especiais da parte materna. Esses maus tratos causam danos irreversíveis a mulher!
    O luto pelo parto, sem que haja necessariamente a morte de alguém, mas existem muitas perdas como não ter o parto planejado, não ter tido a assistência esperada do companheiro, ter que conviver com as transformações físicas, em alguns casos conviver com a pressão psicológica, a grande demanda de cuidados com o bebê, a lembrança constante da angústia traumatizante do nascimento, o fato da passagem do bebê pelo canal do parto, impossibilitado para sempre que o mesmo retorne ao seu antigo lar, entre outros.
     "Eu vivi as duas coisas no pós parto. A alegria, esse amor e paixão pela bebê, e o luto pelo parto." _relata a Doula Marina Pimenta, em relação ao luto do pós parto.

   

     Baby blues é o estado de tristeza profunda, medo, insegurança, impotência que acontece com a puerpéra. Nesse caso a mulher sente:


  • Preocupação excessiva com o bebê
  • Ansiedade e nervosismo
  • Dificuldade de concentração
  • Cansaço e insônia
  • Vontade de chorar sem motivos

          Isso tudo está diretamente ligado aos distúrbios emocionais dessa fase. 
         Conforme o início da produção de leite os hormônios vão se estabilizando!
          É importante lembrar  que não são doenças e sim uma fase, que certamente irão passar em breve, são sintomas que desaparecem até o fim da terceira semana do puérpero, Se persistirem os sintomas é um bom momento para conversar com um especialista sobre o que vc esta sentindo!
        A família e o parceiro são grandes aliados para esse momento, ajudando a mãe aceitar e superar essa situação melancólica.Algumas atitudes positivas fazem toda diferença! Veja alguns exemplos:
-Ajudar a mãe a organizar a nova rotina.
-Fazer comida para ela, levar uma refeição pronta, ir ao supermercado por ela e realizar tarefas domésticas.
-Incentivar a mãe a descansar o máximo que puder.
-Oferecer ajuda prática no caso de problemas na amamentação, como levá-la junto com o bebê ao banco de leite mais próximo para receber orientação especializada e apoio.
-Reforçar sempre que ela é uma ótima mães, a melhor que o bebê poderia ter.
-Limitar o número de visitas ao mínimo.
-Não se incomodar de vê-la chorar.
-Ouvir o que a mãe tem a dizer.


      Acima de tudo a mãe precisa ter apoio!
      Ser ouvida e compreendida!
      De espaço! Aos poucos tudo vai melhorar!
    "Tive baby blues no pós parto. Fiquei bem deprimida. Tive pelo parto não ter sido como eu gostaria. eu pedi analgesia mas não queria, o médico me deu analgesia sentada na cabeça da bebê quase coroando. Isso acabou comigo no pós parto. Não tinha conversado com ninguém sobre isso, pois na possibilidade em pedir, não deixaram meu marido entrar. Eu lutei pelo parto sozinha! Mas mesmo assim eu consegui. 
   Eu tive que entender que esse foi meu parto. Que dentre as minhas possibilidades, falta de poio, e todas as coisas essa era minha realidade. Minha filha estava em meus braços e eu precisava cuidar dela!
    Hoje foi tudo totalmente superado, me realizei sendo doula. A partir dai comecei entender o feminismo, a importância de olhar para as mães e bebês de forma diferente, entende-las e saber o que passam.O amor no nascimento é uma das coisas mais importantes."
_Relata a Doula Marina Pimenta em um um breve depoimento sobre sua sobrevivência a essa fase transitória!



Agradecimento especial ao relato da Marina Pimenta.
Que hoje tem experiência como mãe e doula.







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Era uma vez uma família. Uma mãe, um filha e 4 anos, uma bebê de 10 meses, e um pai. Um belo dia de inicio de inverno as crianças adoeceram. JUNTAS! Porque ter irmãos é como um casamento. Na alegria, na tristeza. Na saúde, na doença! Se um adoece, o outro também adoece, certeiro! Uma crise de tosse generalizada. O “coral da tosse”. Elas tossiam sincronizadamente. Acredite, essa sinfonia frita os neurônios de qualquer boa mãe! Anoiteceu! Remédios e banhos tomados, barriguinha cheia. É chegada a hora de dormir! Enfim adormeceram! A mamãe feliz e animada com a melhora das crianças, satisfeita por poder descansar um pouco. Foi logo fazendo um chocolate quente. E colocando um filme (Capitão América-Guerra Civil), o qual o papai a acompanharia assistindo! Muahahah MAL SABIA ELA QUE O PIOR ESTARIA POR VIR... ..... “UUUAAAAAAAH” um berro. Era a bebê, que devido ao desconforto acordara. E se iniciou mais uma sinfonia o coral da tosse. Ela tossia quando chorava, e chorava quando tossia. 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